Michel Barbosa – O desafio do mercado de trabalho atual

Michel Barbosa
IT Lead | Gerente de TI
PepsiCo | Harley-Davidson | Foxconn | The Coca-Cola Company
Ao ser convidado para escrever esse artigo, comecei a pensar qual o tema relacionado a tecnologia de Informação (TI) deveria ser abordado devido a gama muito variada de opções. Pensei inicialmente em algo relacionado a indústria, devido ao Pólo Industrial de Manaus, quem sabe falar da importância do TI na implementação do conceito de Indústria 4.0 ou da própria integração das equipes de Infraestrutura e Desenvolvimento de Software também chamada de DevOps. Após um momento de reflexão percebi que podia “cair na armadilha” muito comum de quem escreve sobre Tecnologia, em outras palavras, tornar o texto interessante somente para profissionais de tecnologia ou tornar o texto tão técnico que o tornasse um obstáculo para compreensão até mesmo dos profissionais da área. O que fazer então? Decidi buscar uma ideia central que pudesse ser atrativo e motivador para todas as demais áreas.
Para iniciar o raciocínio gostaria de falar de um produto da IBM de 1956 que seria o que você atualmente conhece como Hard Disk e que possuía 5MB de armazenamento, um feito extraordinário em 1956, mas em 2018 já não é suficiente para armazenar nem mesmo uma única música do seu artista favorito. Atualmente, já existem dispositivos de memória de massa cerca de 1000x menores e com capacidade 1000x maior. Em resumo, em pouco mais de 60 anos tivemos uma revolução tecnológica nunca antes vista na história da humanidade. Quais os motivos ?? Podemos destacar vários como, por exemplo, a revolução industrial, as duas grandes guerras mundiais, guerra fria, o advento da internet, enfim razões não faltam para enumerarmos os motivos de estarmos no estágio atual, mas gostaria de destacar um ponto crucial, a mudança e a capacidade de adaptação as mudanças, questão de sobrevivência profissional no mercado atual.
Arrisco-me a dizer que a única constante na nossa vida é a mudança. Tanto isso é verdade que todas as grandes corporações hoje em dia possuem áreas específicas de gerenciamento de mudanças para estarem alinhadas com a velocidade em que as mudanças acontecem. Resumindo, ou você está atento as mudanças ou estará fora do mercado. Simples assim!
Vale ressaltar que esta constatação não é uma condição inerente das áreas tecnológicas, ao contrário, na esteira da tecnologia todas as outras áreas promovem suas mudanças e quem se negar a entender isso estará indo na contramão do mercado.
Estamos em um mundo cada vez mais competitivo, o mercado busca inovação constante e a inovação só pode ser colocada em prática com mudanças em todas as áreas das empresas mesmo aquelas grandes corporações ditas tradicionais e lentas já perceberam que estão perdendo mercado para pequenas corporações que são ágeis e se adaptam melhor e mais rápido as mudanças e as “grandes” estão investindo e “medindo” seus profissionais para garantir que os mesmos dão o retorno desejado no tempo necessário. Foi-se o tempo do “tempo de casa”, ou seja, fulano tem 30 anos de empresa e é um “ativo fixo” da empresa, vai fatalmente se aposentar por lá e receber um “gordo” bônus na saída como gratidão pelos serviços prestados. O mundo corporativo mudou, atualmente as empresas “medem” os resultados e, se você se acomodar com seu alto salário pelo tempo de casa poderá ter uma surpresa de ser substituído por alguém ganhando a metade do seu salário, mas focada em resultados e, com certeza, receptivo a mudanças. O outro lado da moeda existe, as empresas podem perder profissionais experientes e comprometidos com a cultura da empresa e ficar com profissionais altamente adaptados ao “novo mercado”, porém esses profissionais podem ir em busca de novos desafios em um período curto de 2 a 5 anos e deixar a empresa. Essa é a aposta que está sendo “bancada” pelo mercado atual que está promovendo o equilíbrio entre o comprometimento e o resultado. Atualmente, “turnover”, ou seja, a medição da rotatividade de pessoal, não deve ser mais visto como algo necessariamente negativo desde que os resultados da empresa provem o contrário.
Estar aberto as mudanças e adaptar-se a elas o mais rápido possível faz toda diferença. A experiência acumulada ao longo dos anos é super válida mas vai ficar muito melhor se você continuar acumulando mais experiência com a melhoria contínua de sua “empregabilidade” seja em termos de conhecimentos técnicos e comportamentos que você irá lapidando à medida que for mudando.
Quando seu gestor aparecer com uma ferramenta nova para sem implementada, fique motivado e procure entregar mais do que ele espera. Não veja essa mudança como um obstáculo, mas como uma catapulta que te impulsionará para frente. Não reclame, não coloque defeitos, ao contrário, faça críticas construtivas para melhorar o que já está em alto nível. “Raise the bar”, aumente a sua barra de exigência com você mesmo pois sempre haverá espaço para o amanhã ser melhor do que o ontem.
Uma vez ouvi de um headhunter que as pessoas são contratadas pela experiência, mas são demitidas pelo comportamento. Vários comportamentos podem lhe levar para fora do mercado, mas arrisco-me a dizer que a acomodação, ou melhor, a famosa “zona de conforto”, de 2018 em diante, é o principal veneno para sua carreira e a melhor antídoto é entender que as mudanças, cada vez mais rápidas, vieram para ficar. Então adapte-se as mudanças, mudando a maneira de trabalhar, em outras palavras, seja ágil, trabalhe com coesão e empoderamento de suas equipes para que os profissionais fiquem engajados a buscar sempre melhores resultados. Estou vivenciando isso e tenho certeza de que é possível para mim e para qualquer outro profissional crescer nesse novo ambiente desde que tome uma decisão de mudar mas mudar de verdade, dando o máximo de si e colocando o discurso em prática. By the way, lembra do projeto de HD citado no início do artigo, segue abaixo a foto para que você tire suas próprias conclusões. Espero ter ajudado na sua jornada, um forte abraço.
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17/04/2020